terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O que você nunca deixaria ir embora?

Assim era a pergunta proposta para que o leitor respondesse e concorresse a um livro intitulado "Nunca vai embora" de Chico Mattoso, cuja história se passa em Cuba e eu não falarei mais, pois ainda não li e tenho vontade de me surpreender. Tratava-se de marketing óbvio para a divulgação do livro, mas me fez parar e pensar o que há nessa minha vida ou na vida em geral, que mereça essa prioridade permanente quando o assunto é transitoriedade. Não sei se você já se perguntou isso, mas pense, apenas uma coisa da qual você jamais abriria mão, algo ou alguém que você não deixaria ir embora nunca. Parece coisa de história de amor água com açúcar, mas pode não ser assim também.
Pensei durante um tempo, olhando pra capa do livro que ilustrava a página da editora e um link link me pegou de jeito. Foi então que entendi, o que não posso deixar que vá embora nunca: Eu! Eu não me deixaria ir embora nunca, não deixaria que minha alma partisse sem que eu fosse junto. Não se trata de coisas romantiquinhas, mas alma na qualidade de essência e não  é nada narcisista não, pelo contrário, me ter é a única maneira de ter alguma outra pessoa comigo, de estar no mundo, de ter o mundo comigo ou a parte dele que interessa; é só me tendo que  posso permitir que qualquer um se aproxime, caminhe junto ou faça parte de mim. É uma busca diária pelo outro, todos vivemos mais ou menos assim buscando a família, os amigos, vizinhos, e muitas outras pessoas e coisas que compõem nossa vida. Uma cigarra não canta para a casca de outra que ficou ali no tronco, cigarra canta para outra cigarra igualmente viva, igualmente barulhenta. Na verdade acho que a cigarra canta para a chuva, como dizia a minha avó, talvez todas as avós dissessem isso,  ou pelo menos a maioria delas! O fato é que eu sou a principal peça pra encaixar num outro, num mundo. O amor só é amor de fato se for ambivalente, caso contrário é arbitrariedade da natureza, que cá entre nós adora esse tipo de complicação. hahahaha
E em tempo de trânsito rápido, no qual o sinal muda de cor frequentemente, talvez algo que mereça e necessite ser permanente seja eu mesmo. E de qualquer maneira, casca de cigarra não sai do lugar, mas cigarra que canta sabe o que fazer e faz.
E você, o que não deixaria ir embora nunca?

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