Pensei durante um tempo, olhando pra capa do livro que ilustrava a página da editora e um link link me pegou de jeito. Foi então que entendi, o que não posso deixar que vá embora nunca: Eu! Eu não me deixaria ir embora nunca, não deixaria que minha alma partisse sem que eu fosse junto. Não se trata de coisas romantiquinhas, mas alma na qualidade de essência e não é nada narcisista não, pelo contrário, me ter é a única maneira de ter alguma outra pessoa comigo, de estar no mundo, de ter o mundo comigo ou a parte dele que interessa; é só me tendo que posso permitir que qualquer um se aproxime, caminhe junto ou faça parte de mim. É uma busca diária pelo outro, todos vivemos mais ou menos assim buscando a família, os amigos, vizinhos, e muitas outras pessoas e coisas que compõem nossa vida. Uma cigarra não canta para a casca de outra que ficou ali no tronco, cigarra canta para outra cigarra igualmente viva, igualmente barulhenta. Na verdade acho que a cigarra canta para a chuva, como dizia a minha avó, talvez todas as avós dissessem isso, ou pelo menos a maioria delas! O fato é que eu sou a principal peça pra encaixar num outro, num mundo. O amor só é amor de fato se for ambivalente, caso contrário é arbitrariedade da natureza, que cá entre nós adora esse tipo de complicação. hahahaha
E em tempo de trânsito rápido, no qual o sinal muda de cor frequentemente, talvez algo que mereça e necessite ser permanente seja eu mesmo. E de qualquer maneira, casca de cigarra não sai do lugar, mas cigarra que canta sabe o que fazer e faz.
E você, o que não deixaria ir embora nunca?
Nenhum comentário:
Postar um comentário